Liderança, inovação, economia e desenvolvimento de competências estiveram no centro do Seminário Gestores 2026, promovido pelo Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (SINEPE/DF), na última quarta-feira (5), no auditório do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
O encontro reuniu 320 gestores, mantenedores, profissionais da educação, especialistas e representantes de entidades e empresas ligadas ao setor para um dia de palestras, debates, relacionamento e contato com soluções voltadas ao cotidiano das instituições de ensino.
A abertura foi conduzida pela presidente do SINEPE/DF, Ana Elisa Dumont, que agradeceu às escolas, às equipes responsáveis pela organização e às empresas parceiras. Ela destacou que o seminário foi preparado para proporcionar atualização, reflexão e aproximação entre os profissionais do setor.
“Teremos, ao longo deste dia, a oportunidade de compartilhar conhecimentos, experiências e reflexões sobre liderança. Que seja um encontro de muitas trocas, novas conexões e aprendizados”, afirmou Ana Elisa.
Entre as autoridades e lideranças presentes estiveram a presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP), Amábile Pacios; o senador Izalci Lucas; o ex-presidente do SINEPE/DF Álvaro Domingues; a diretora técnica do SEBRAE/DF, Diná Ferraz; a presidente do Conselho de Educação do Distrito Federal, Eliana Mussi; e a secretária de Educação do Distrito Federal, Iêdes Soares Braga.
A participação do SEBRAE/DF também marcou a programação do Seminário. Para a diretora técnica da instituição, Diná Ferraz, a aproximação com o SINEPE/DF amplia as possibilidades de atuação conjunta para apoiar as escolas em diferentes frentes.
“A parceria com o SINEPE/DF é estratégica porque aproxima o SEBRAE das instituições de ensino e amplia nossa capacidade de contribuir para o fortalecimento da gestão e da inovação no setor educacional. Apoiar iniciativas como o Seminário Gestores reforça esse compromisso e possibilita levar conhecimento, conexões e soluções a quem está diretamente envolvido na formação das novas gerações”, afirmou.
Segundo Diná, essa cooperação pode envolver capacitações, consultorias e conteúdos relacionados à gestão, inovação, empreendedorismo e transformação digital, além de iniciativas de educação empreendedora direcionadas a gestores, professores e estudantes.
Nesse campo, ela destaca que o empreendedorismo vai muito além da criação de negócios. “A educação empreendedora estimula o estudante a identificar oportunidades, buscar soluções, tomar decisões e transformar ideias em iniciativas concretas. Ela desenvolve competências como criatividade, autonomia, colaboração, pensamento crítico e protagonismo, importantes para a vida pessoal e profissional”, explicou.
A presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP), Amábile Pacios, destacou a ligação entre a atuação nacional da Federação, os sindicatos estaduais e a realidade vivida diariamente pelas instituições de ensino.
“Quando estou em uma audiência defendendo os interesses da educação particular, penso na minha escola e penso em vocês. Conheço a realidade das escolas e sei quanto essa luta é necessária”, afirmou.
Amábile também ressaltou o vínculo da Federação com o setor no Distrito Federal. “A FENEP é alguém desta casa, que conhece muito bem tudo o que as escolas fazem e tem muito orgulho da educação particular do Distrito Federal”, acrescentou.
O ciclo de palestras começou com o advogado e especialista em oratória e comunicação de alto impacto Samer Agi, que apresentou o tema “A coragem de decidir”.
A partir de exemplos históricos e situações do cotidiano, o palestrante abordou a relação entre coragem, verdade, responsabilidade e capacidade de agir. A reflexão dialogou diretamente com a rotina dos gestores escolares, que precisam tomar decisões envolvendo aspectos pedagógicos, administrativos, financeiros e humanos.
“O indivíduo tem o poder de fazer suas escolhas, mas também precisa assumir a responsabilidade por elas. Não basta decidir: é preciso executar a decisão”, destacou Samer.
Um dos temas mais presentes nas discussões atuais da educação também esteve no centro da programação. Na palestra “A revolução da inteligência artificial na educação”, André Barcaui abordou as mudanças provocadas pela tecnologia e, principalmente, o papel das lideranças escolares na condução desse processo.
“Vocês são diretamente responsáveis por esse processo. Isso faz toda a diferença quando falamos de implantação, construção, proteção e uso da inteligência artificial. O primeiro passo é estabelecer uma política de gestão pedagógica”, afirmou.
Para Barcaui, incorporar inteligência artificial à escola exige mais do que disponibilizar ferramentas. É preciso planejamento, formação e critérios claros para que professores e estudantes façam uso da tecnologia com autonomia, responsabilidade e consciência crítica.
Durante as perguntas do público, o especialista também tratou de um dos desafios mais concretos enfrentados pelas escolas: fazer com que a IA seja usada para ampliar a aprendizagem, e não apenas para entregar respostas prontas.
“A escola precisa oferecer às pessoas a oportunidade de conhecer essas ferramentas. Primeiro, é preciso ouvir, experimentar e compreender para, depois, decidir como utilizá-las”, declarou.
No período da tarde, Gilvan Bueno conduziu a palestra “Panorama econômico para tomada de decisões”. A apresentação relacionou o cenário econômico brasileiro às mudanças demográficas, ao comportamento das famílias e às oportunidades que podem surgir para diferentes setores.
Gilvan destacou que os gestores precisam acompanhar informações econômicas e sociais para interpretar o presente e antecipar transformações que possam afetar as instituições.
“É preciso antecipar a mudança. O trabalho é compreender os dados, observar quanto cada região impacta o país e transformar essas informações em decisões”, afirmou.
O palestrante também chamou a atenção para o envelhecimento da população, as mudanças no perfil dos consumidores e a necessidade de as organizações conhecerem melhor o público com o qual se relacionam.
“Estamos diante de uma população que muda cada vez mais. Essas transformações criam novos desafios, mas também novas oportunidades para negócios e serviços”, observou.
Encerrando o ciclo de palestras, o grupo BT03, formado por Alan Jhones, Bruno Lyra e Guilherme Goulart, apresentou o tema “Humanos e tecnológicos: a nova arquitetura das competências do futuro”.
A apresentação tratou da combinação entre conhecimentos tecnológicos e capacidades essencialmente humanas. O grupo abordou competências como colaboração, adaptação, criatividade, comunicação e pensamento crítico, cada vez mais relevantes diante das mudanças no mundo do trabalho e na educação.
A discussão reforçou que a tecnologia não elimina a importância das relações humanas. Ao contrário, exige que escolas e profissionais desenvolvam novas maneiras de aprender, trabalhar em equipe, resolver problemas e se posicionar diante de cenários em transformação.
O Seminário Gestores também reservou espaço para o relacionamento entre os participantes. Ao longo do dia, os gestores puderam visitar 18 estandes de empresas parceiras e conhecer soluções para diferentes áreas do cotidiano escolar, entre elas sistemas de ensino, materiais didáticos, educação bilíngue, tecnologia, musicalização, gestão financeira e apoio administrativo.
Os intervalos proporcionaram momentos de integração e troca de experiências entre gestores, especialistas, dirigentes e representantes do mercado educacional. A programação contou ainda com apresentações culturais e sorteios oferecidos pelos parceiros.
Ao combinar conteúdo, representatividade, relacionamento e acesso a novas soluções, o Seminário Gestores 2026 proporcionou aos dirigentes uma visão ampla sobre desafios que já fazem parte da rotina das instituições e outros que devem ganhar cada vez mais espaço no planejamento das escolas.
Com a iniciativa, o SINEPE/DF reforça seu compromisso com a formação e a atualização dos gestores da educação particular, criando espaços para a circulação de conhecimento, o fortalecimento de parcerias e a discussão de estratégias para o futuro do setor.